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terça-feira, 31 de maio de 2011

Obtendo ou mantendo empregos

Paulo Werneck
Volta e meia recebo um curriculum de alguém precisando de um emprego em Comércio Exterior. Não tenho muito o que fazer, até mesmo por questões éticas, por ser fiscal aduaneiro ainda na ativa.
Mesmo aconselhar é um pouco complicado. Tive até hoje apenas seis empregos: dois por concurso, dois por convite e dois com poderosas indicações... Mesmo assim tentarei ajudarcom alguns conselhos.
O ponto certamente mais importante é que emprego não é mercê, favor do empregador, por mais que o discurso do dito diga isso. O candidato só será contratado se fôr útil para a empresa. Aliás, também só permanecerá empregado enquanto não apenas fôr útil, mas o custo benefício for bom para o contratador.
Isso nos leva para o campo da empregabilidade, ou seja, da capacidade de um profissional ser atraente para as empresas, de modo a se manter empregado e a conseguir se reposicionar quando assim o desejar.
Essa empregabilidade passa pelo conhecimento teórico da ocupação, pela capacidade de execução, e pela divulgação dessas boas características.
O conhecimento teórico é um fator básico. É obtido pela frequência a cursos, pela leitura, pela participação em congressos e seminários, bem como pela experiência. Não é necessário - nem conveniente - que este passe o tempo todo se pavoneando, mas o inverso também não é verdadeiro. É necessária alguma exposição pública.
Finalmente, uma rede de relações é fundamental, não apenas para ajudar a resolver problemas (com o conselho de conhecidos mais experientes) como também para saber de posições em aberto e poder apresentar referências adequadas.
Mas e se o candidato a obter um emprego está afastado e não conhece ninguém?
É uma situação madrasta, sem dúvida, mas não insolúvel. Pode-se apelar aos conhecidos remanescentes, refazendo a rede de contatos, e mesmo ir com a cara e a coragem buscar o emprego sem qualquer padrinho. Nesse caso é fundamental fazer uma pesquisa para identificar as empresas adequadas, aprofundar a pesquisa para conhecer com mais profundidade as empresas que foram selecionadas, refletir sobre o que o candidato pode oferecer a essas empresas e se apresentar com o discurso já muito elaborado, para, conseguindo acessar o empregador, demonstrar a utilidade em o contratar.
Uma outra alternativa interessante (embora pouco o nunca usada) seria identificar empresas que não lidam com o comércio exterior, identificar oportunidades perdidas - mercados a desbravar ou fornecedores interessantes - e se propor a cuidar dessa área, demonstrando ter a capacidade para tal, seja como funcionário, seja como agente de vendas ou de compras.
Aos que estiverem precisando de um emprego novo, sucesso na busca!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Como entrar no Mercado de Trabalho?

Paulo Werneck
Ferdinand Bol: Guilda de Mercadores de Vinho
Foto: Brian J. McMorrow
Fonte: http://www.pbase.com
Tentarei responder a esta pergunta, que muitos estudantes se fazem, e não só, mas alerto aos leitores que não sou entendido na questão. Minha resposta apresentará algumas reflexões e experiências que fiz ou que tive, mas não se pretende um guia da questão.
De plano há três alternativas básicas: serviço público, emprego privado ou iniciativa própria.
Seja qual a alternativa preferida, uma medida prévia, sem contra-indicações, é estudar. Não me refiro a estudar o suficiente para obter as notas necessárias para ser aprovado nas cadeiras, estudar para “passar de ano”, mas estudar para saber, para desenvolver um acervo consistente de conhecimentos.
Esse estudo “de verdade” deve continuar após a formatura, e engloba muitas formas, cursos, leitura de livros, aprendizado de línguas, ida a cinemas, tudo o que amplie o conhecimento técnico de comércio exterior e cultura geral, extremamente importante para o setor.
Durante o curso, o ser reconhecido como bom aluno, não apenas estudioso, mas que sabe, já pode resultar em indicações por professores para empresas necessitadas de estagiários ou funcionários.
Se o curso exigir – como espero que exija – trabalho final de curso, mais uma oportunidade se abre. O aluno escolhe um tema que lhe agrade e realiza uma pequena pesquisa de campo nas empresas que lidam com esse tema, provavelmente sendo bem recebido como pesquisador, mas podendo aproveitar o contato para criar relações positivas.
Formado, os passos mudam um pouco.
Serviço público pressupõe concurso, exige preparo. Aqueles que não desperdiçaram o tempo na Universidade se beneficiam de muito avanço em relação aos demais. Resta estudar com dedicação e ter um pouco de sorte.
Trabalhar na iniciativa privada envolve entrega de curriculuns às empresas que possam estar precisando de profissionais. Nesse caso vale a pena conhecer o mercado, ou seja, saber que empresas oferecem as posições desejadas e ir à luta, que poderá ser facilitada se o interessado puder apresentar recomendações de professores ou experiências positivas em estágios.
Finalmente, uma alternativa menos procurada é desenvolver a sua própria empresa. Com um conhecimento bem desenvolvido de comércio exterior o interessado pode agir inicialmente intermediando produtores e consumidores, usando as ferramentas já disponíveis, como o Exporta Fácil.
Uma idéia: o interessado identifica produtos exportáveis, procura compradores, e auxilia as empresas a realizar as exportações, cobrando uma comissão. Depois, quando tiver volume, abre uma empresa de importação e exportação.
A vantagem é que o jovem, não tendo ainda as responsabilidades de família pode manter por um pouco mais de tempo o padrão de consumo de estudante, enquanto a empresa se concretiza e cresce.